Lei proíbe venda de vale gás em mercados do Paraná.

24/12/2017

Uma leis sancionada na última quinta (21) pelo governador Beto Richa (PSDB) proíbe que supermercados, hipermercados, farmácias e shoppings do Paraná vendam vale gás, prática que se tornou comum e vantajosa para grandes redes supermercadistas e um grande problema para os distribuidores de gás.

A proposta aprovada é de autoria dos deputados estaduais Tião Medeiros(PTB) e Jonas Guimarães(PSB) e amplia uma lei que já existia, de autoria do deputado Péricles de Melo (PT), que definia a proibição de comércio de inflamáveis em estabelecimentos comerciais que não fossem do ramo, regulados pela Agência Nacional do Petróleo.

Agora, nem o vale gás poderá ser vendido. O cupom impresso que dá ao consumidor o direito de trocá-lo por um botijão de gás de 13 quilos se tornou tão comum que muitas vezes faz parte dos anúncios dos estabelecimentos e é oferecido diretamente no caixa, no pagamento das compras.

"É uma concorrência desleal, com preços predatórios", reclama a presidente do Sindicato das Empresas de Atacado e Varejo de Gás Liquefeito de Petróleo (Sinegás), Sandra Ruiz. Segundo ela, os comerciantes do setor não lucram praticamente nada com o vale gás, e se tornam meros entregadores de botijões. Além disso, a imagem da categoria fica prejudicada, porque os supermercados usam esse tíquete em promoção para atrair clientes e faturam em outros produtos.

"Nós só temos gás para vender." Sandra diz que os consumidores não entendem como os supermercados vendem mais barato que as revendedoras. O deputado Tião Medeiros, que participou de reuniões com revendedores, explica que grandes redes de supermercados, que não podem vender produtos inflamáveis, "criaram um subterfúgio para enganar o consumidor". Segundo ele, "a legislação trata os produtos derivados de petróleo com exigências diferentes. Um funcionário de posto de combustível ou revendedoras de gás recebe adicional de periculosidade, que pode chegar a 30% sobre o salário, ao passo que o funcionário do mercado não ganha e por isso o mercado pode vender por menos".