Ex-gerente do Banco do Brasil desviou dinheiro por dois anos em Curitiba.

17/10/2017

O ex-gerente do Banco do Brasil (BB), preso nesta terça-feira (17) suspeito de desviar R$ 10,5 milhões da instituição, roubou o banco por dois anos, de acordo com o delegado da Polícia Civil Matheus Layola. O suspeito trabalhou no BB por 17 anos e foi demitido por justa causa no ano passado.

"Foram praticamente dois anos lesando o Banco do Brasil nesse esquema que resultou em um desfalque milionário", disse Matheus Laiola. As fraudes foram cometidas entre 2015 e 2016.

Cinco pessoas foram presas temporariamente, e até as 18h desta terça-feira havia dois foragidos.

Segundo o delegado, todos os mandados de prisão foram cumpridos em Curitiba e na Região Metropolitana. As prisões temporárias valem por cinco dias, podendo ser prorrogadas pelo mesmo período ou convertidas em preventivas, que é por tempo indeterminado.

"O ex-gerente geral de uma das agências aqui de Curitiba em coluio com o contador, que era contador de todas as empresas investigadas, se uniram juntamente com empresários de maneira estável e permanente para lesar o banco", afirmou Matheus Laiola.

Operação Sangria

Por volta das 10h30, a operação batizada de "Sangria", deflagrada pela Polícia Civil, ainda estava em andamento. Mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva - que é quando o investigado é levado para prestar depoimento - continuam sendo cumpridos em Goiás, em São Paulo e em Brasília, conforme o delegado. Ao todo, são 54 mandados judiciais.

O ex-gerente se chama Luiz Eduardo Cardoso e foi detido em casa, na capital. Já o contador Joilson Gomes Pires foi preso em Campo Largo. Ele era contador de todas as sete empresas envolvidas no esquema.

O advogado de Luiz Eduardo Cardoso, Luciano Sobieray de Oliveira, disse que só vai se manifestar após ter acesso aos autos.

A defesa do contador Joilson Gomes Pires, representada pelo advogado Marcelo Campelo, disse que ficou surpresa com a operação e que seu cliente é inocente.

De acordo com a investigação, o ex-gerente trabalhou em uma agência que fica no Centro de Curitiba e contava com a ajuda de contador, além de outras pessoas.

O grupo é suspeito de simular e criar contas com documentos falsos para a liberação de créditos e financiamentos. O dinheiro também era desviado para empresas, conforme a polícia.

O delegado contou que o Banco do Brasil procurou a polícia, pois desconfiou do esquema criminoso. A investigação durou cerca de um ano. Os fatos, segundo o delegado, vieram à tona depois da quebra de sigilo bancário dos suspeitos. Além disso, impressões digitais e documentos foram analisados.

Por meio de nota, o Banco do Brasil informou que "após identificar indícios de irregularidades, concluiu investigações da Auditoria Interna que resultaram na demissão por justa causa de um funcionário, em junho de 2016, e na apresentação de notícia crime à polícia"

A instituição também afirmou que seguirá colaborando com as investigações policiais para que todos os fatos sejam esclarecidos.

Matheus Layola afirmou que bloqueios bancários foram feitos, nesta terça, nas contas de todos os envolvidos. O valor dos bloqueios não foi informado.

Os crimes investigados na ação são peculato, falsificação de documentos públicos e particulares, expedição de duplicatas simuladas, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Como funcionava o esquema

O esquema contava com a participação direta do ex-gerente do banco, segundo a polícia. O contador abria contas bancárias sem o conhecimento dos donos das empresas e com documentos falsos. Com estes dados, ele repassava para o gerente geral que, por sua vez, realizava os empréstimos financeiros e as antecipações de títulos.

Ainda segundo a Polícia Civil, o ex-gerente chegou a alterar o cadastro de empresários no sistema do banco, sem que os mesmos soubessem, para que as transferências bancárias fossem realizadas. Estes recursos eram transferidos, posteriormente, para contas de empresas envolvidas com a quadrilha.