Desempregado, contador vende bolos até conseguir se recolocar no mercado.

21/08/2017

Leonardo Potengy foi demitido no fim de 2014 e teve de empreender para pagar as contas; em pouco mais de 1 ano, fechou as portas do negócio e voltou a ser funcionário.

Em maio de 2014 Leonardo Potengy recebeu uma oferta irrecusável: deixar a empresa onde trabalhava há três anos para assumir uma posição de gerência na área de governança da Saraiva, por um salário quase 50% maior. Cinco meses depois, porém, a varejista teve que fazer uma reestruturação e ele entrou na lista de corte.

Potengy, hoje com 42 anos, tinha acabado de comprar um apartamento e só tinha reservas para ficar seis meses desempregado. O tempo passou e o dinheiro acabou. Vendeu o carro e, na busca por alguma renda, começou a fazer bolos para fora.

A ideia de abrir uma empresa de bolos veio depois que Potengy começou a cozinhar em casa para economizar. Acabou tomando gosto, especialmente pela confeitaria.

"Fiz um de macadâmia com pudim de doce de leite que meus amigos adoraram e eles sugeriram que eu abrisse uma loja", conta.

O contador comprou uma batedeira, formas, contratou uma agência para criar uma logomarca e abriu um registro de Microempreendedor Individual (MEI). Gastou, ao todo, cerca de R$ 5 mil e, em novembro de 2015, nasceu a FlanCake.

Potengy fazia tudo sozinho, em casa, em São Paulo, e vendia pela internet e nas redondezas de onde morava.

No segundo mês de operação, em dezembro, ele conseguiu vender R$ 1,5 mil em bolos, sem descontar os custos. Ficou tão animado com o resultado que deixou de buscar emprego e foi participar de programas de empreendedorismo, em órgãos como Sebrae e Serasa. 

Como empreendedor, Potengy logo descobriu os desafios de manter um negócio durante a crise econômica. A procura pelos bolos caiu no começo de 2016 e o lucro da FlanCake estava muito longe dos mais de R$ 25 mil que ele ganhava como executivo.

Com quase meio milhão de dívidas acumuladas, teve que colocar o apartamento à venda. "Teve meses em que não vendi quase nada e não apareciam nem interessados em ver o apartamento. Cheguei a ficar com sete prestações atrasadas", conta.

Em dezembro do ano passado, o banco deu um ultimato. Se Potengy não quitasse uma dívida de R$ 45 mil em 48 horas, o apartamento iria a leilão. "Tive que contar com a ajuda dos amigos e consegui o dinheiro em duas horas. Na dificuldade você vê quem está do seu lado", lembra.

Pressionado pelas dívidas, Potengy concluiu que o negócio próprio não era a solução para o seu problema. A partir daí, passou a procurar empregos inferiores ao que tinha antes de ser demitido e reduziu o preço de venda do imóvel.

Em fevereiro deste ano, Potengy conseguiu um emprego - para ganhar metade do que seu salário anterior - e fechou as portas da FlanCake. No mesmo mês, vendeu o apartamento, quitou as dívidas com os amigos e renegociou seus empréstimos com os bancos.

A FlanCake viveu pouco - um ano e dois meses. Essa trajetória relâmpago é muito comum no país. Dados do Sebrae mostram que 23% das pequenas empresas brasileiras fecham as portas nos dois primeiros anos.

Da loja de bolos, Potengy ficou com a experiência. Ao empreender, viu como diversos setores de uma empresa funcionam na prática, algo que, diz ele, fez bem para o seu currículo.

Potengy mudou de vida depois da crise. Não quer mais imobilizar seu dinheiro em carro ou casa própria e agora faz uma reserva para emergências. "Ainda tenho amigos desempregados, tenho medo de passar por isso de novo, então economizo cerca de 30% do meu salário".

Voltar a ter um negócio não está nos seus planos de curto prazo, mas pode ser uma opção no futuro. "Talvez quando eu estiver melhor estruturado e capitalizado, como um 'plano B'. Ou próximo da aposentadoria, como um complemento de renda", afirma.

Fonte: g1.com