Com cabelo platinado, aluno é proibido de ficar em sala de aula no PR.

25/10/2017

Um estudante de 14 anos de Telêmaco Borba, na região dos Campos Gerais do Paraná, foi proibido de ficar em sala de aula por causa da cor do cabelo. A proibição foi feita pela direção do Colégio Estadual Padre José Anchieta, que voltou atrás da decisão depois que a família procurou a Justiça.

"Vi um jogador do Santos, o Lucas Lima, achei bonito e pintei", conta o aluno Lucas Mateus Mustefaga. Ele descoloriu o cabelo que era castanho.

Na escola, o adolescente diz que os amigos gostaram da mudança, mas que os professores e a diretora não tiveram a mesma reação.

"A diretora falou que não tinha gostado, que tinha ficado feio, que tinha ficado uma porcaria, que eu parecia um marginal", relata. 

Na semana passada, o aluno foi expulso da sala de aula e passou dois dias na biblioteca. O pai dele, Antônio Marcos Mustefaga, procurou a diretora do colégio para cobrar uma explicação e não gostou do que ouviu.

"A diretora falou para mim que, quem olhasse de fora, diria que ele estava metido com coisa errada. Eu acho que cor do cabelo não vai dizer o caráter dele", explica.

O caso foi no colégio em que Lucas estuda há três anos. Na escola, ninguém quis dar entrevista.

O Núcleo Regional de Educação (NRE) afirma que o colégio segue um regimento interno, aprovado pelos pais, e que ele proíbe o uso de piercing, tatuagem, boné e também que o aluno frequente a escola se tiver com um corte de cabelo ou coloração extravagante.

Ainda assim, de acordo com NRE, a escola terá que rever alguns critérios. A coordenadora Noemi Guedin de Almeida explica, por exemplo, que o aluno não poderia ter sido impedido de assistir às aulas.

"A escola não pode, de forma alguma, ferir o direito do aluno. Como foi uma decisão do coletivo da escola, a gente vai orientar que eles refaçam a assembleia, que conversem novamente com toda a comunidade escolar e que revejam esse item", garante.

Para o Ministério Público, o papel da escola é acolher e, não, excluir.

"O Ministério Público entende que o adolescente deve ser estimulado à educação. A Constituição Federal é muito clara ao dizer que o direito à educação é fundamental", explica o promotor da Vara da Infância e Juventude Arthur Jonas Mendonça e Araújo. 

Para ele, o cabelo não justifica uma exclusão e o regimento interno do colégico deve seguir as leis da constituição.

Nesta terça-feira (24), o MP informou que abriu um procedimento administrativo para apurar o possível constrangimento causado ao adolescente.

Depois de toda a polêmica, a escola voltou atrás da decisão. Agora, mesmo com o cabelo platinado, Lucas pode assistir às aulas normalmente. Ele diz que não pretende pintar o cabelo de castanho de novo.

"O cabelo não tem nada a ver com a pessoa", acredita.

Fonte: g1.com