85% das armas apreendidas no Brasil vêm do exterior.

12/01/2018

A PF (Polícia Federal) apontou em um relatório que apenas 15% das armas apreendidas no Brasil de 2014 a 2017 tiveram seu último registro legal em solo nacional. Ou seja, 85% delas vieram de fora do país, um fluxo de mercadorias que acaba nas mãos de facções do Rio de Janeiro, de São Paulo e de outros centros urbanos.

O estudo da Dicor (Divisão de repressão a crimes contra o patrimônio e ao tráfico de armas) analisou 10 mil armas apreendidas no Brasil, em operações policiais de todo tipo, nos últimos três anos, e rastreou até onde foi possível a origem do material.

Das 1.734 armas em que se chegou ao último registro legal conhecido (seja pessoa física ou jurídica, ou órgãos públicos de segurança), apenas 255 (14,7%) tinham registro no Brasil. A maioria (53%) veio do Paraguai, e até os Estados Unidos (20,2%) eram uma procedência mais comum que a local.

Via de regra, armas curtas, como revólveres e pistolas, costumam ser importa das legalmente pelo Paraguai e passam às mãos do crime organizado quando cruzam a fronteira pelo Paraná ou pelo Mato Grosso do Sul. Com legislação e fiscalização mais frouxas que o Brasil, os paraguaios importam de forma legal armas de 8 países, especialmente EUA, Turquia e Israel.

Segundo a PF, facções brasileiras têm criado "escritórios" dentro do Paraguai para facilitar o trânsito da mercadoria. As quadrilhas arranjam laranjas que compram as armas em lojas legalizadas e as repassam. Já as armas longas, como metralhadoras e fuzis, são importadas dos Estados Unidos, às vezes desmontadas e com as peças separadas. A rota terrestre (passando pelo Paraguai) é a predominante, mas já foram descobertos carregamentos que chegaram por navios ou até por aviões.

No relatório, a PF reclama que os países do Mercosul, principalmente, poderiam se esforçar mais para identificar a origem e as rotas das armas clandestinas. "A concentração de esforços é a melhor solução para você enfrentar o crime organizado que está por trás desse tipo de delito. Essa criminalidade organizada não tem limites para atuação. Não respeita fronteiras", diz o delegado Maurício Valeixo, superintendente da PF no Paraná.

Foto e fonte: Metro Maringá